Olá, leitores!

Nesse post iremos falar sobre o exame do líquido cefalorraquidiano no diagnóstico da Doença de Alzheimer. Iremos focar em dois grupos de biomarcadores relacionados à patologia em questão: a proteína β-amiloide e a proteína tau.

O exame do líquido cefalorraquidiano (LCR) é utilizado como uma importante técnica diagnóstica para patologias neurológicas. No caso da Doença de Alzheimer, o diagnóstico definitivo ainda requer a análise histopatológica, mas os estudos acerca de marcadores biológicos são bastante promissores.

O LCR está em contato íntimo com o Sistema Nervoso Central (SNC) e com ele troca muitos produtos bioquímicos, apresentando uma complexa mistura de proteínas, as quais refletem o estado fisiológico e patológico do SNC. Dessa forma, desordens neurodegenerativas e outros processos patológicos cerebrais alteram tal composição proteica do LCR.

O exame do LCR é feito por punção lombar. Não há um preparo específico por parte do paciente para o exame; ele pode alimentar-se normalmente, só não é recomendável que esteja fazendo uso de medicação anticoagulante ou de drogas que interfiram na coagulação sanguínea. Nesses casos, o médico deve avaliar a necessidade do exame e, se realmente necessário, deve estar atento para o risco de sangramento decorrente do procedimento.

Agora que já exploramos os conceitos relacionados ao líquido cefalorraquidiano, vamos falar dos biomarcadores nele encontrados relacionados ao processo patológico do Alzheimer. Proteínas β-amiloides (Aβ) são pequenos peptídeos hidrofóbicos produzidos por clivagem de uma proteína precursora de amiloide associada à membrana. As Aβ são produzidas constitutivamente e lançadas no sangue e no LCR. Em pessoas com Alzheimer, elas são acumuladas no cérebro em placas senis, processo característico da doença. Consequentemente, há uma relação direta entre os níveis de Aβ no LCR e a sua deposição no cérebro.

beta-amiloide

Estudos apresentados levam à conclusão de que a análise da Aβ no LCR pode ser um parâmetro em potencial para a determinação do declínio cognitivo na fase pré-clínica. Isso foi sugerido pelo seguinte fato: em pacientes com comprometimento cognitivo leve, os níveis de Aβ foram mais baixos em paciente que vieram a ser diagnosticados com Alzheimer. No entanto, outros estudos também demonstraram que esse marcador é altamente sensitivo para a detecção de demência, mas não permite uma boa discriminação entre vários tipos de demência, uma vez que seu nível também diminui em pacientes com outras formas de demências não causadas por Alzheimer.

Outro biomarcador importante na análise do LCR para diagnóstico de Alzheimer é a proteína tau. A proteína tau é uma proteína associada a microtúbulos que interage com tubulinas e promove a montagem e a estabilidade dos microtúbulos. A forma hiperfosforilada da tau tem sua afinidade por microtúbulos diminuída, reduzindo, consequentemente, sua habilidade de promover sua formação. A tau hiperfosforilada compõe agregados que formam filamentos helicoidais, os quais constituem emaranhados neurofibrilares presentes no processo patológico do Alzheimer.

Consequentemente, níveis elevados de tau fosforilada ou não fosforilada no LCR são biomarcadores da Doença de Alzheimer, e, quando presentes em pacientes com comprometimento cognitivo leve, são indicadores de alto risco para o desenvolvimento da patologia.  Em pessoas com Alzheimer, níveis mais altos da tau forforilada estão relacionados a uma maior atrofia do hipocampo e a resultados mais baixos em exames neuropsicológicos. Entretanto, assim como foi visto com a Aβ, a mesma alteração nos níveis da tau pode ser observada em outras condições que não o Alzheimer; além disso, o aumento nos níveis da tau também está presente devido ao envelhecimento.

tau

Portanto, a análise de biomarcadores para o Alzheimer no líquido cefalorraquidiano é uma técnica promissora para o diagnóstico da patologia em questão, apesar de ainda não ser tão conclusiva devido a sua não tão alta especificidade frente a outras formas de demência. No entanto, tal constatação não deve diminuir seu mérito e seu potencial, se desenvolvido por mais pesquisas, para o diagnóstico clínico e pré-clínico da doença – esse último sendo de extrema relevância, uma vez que a busca pelo diagnóstico precoce é sempre válida e importante no que diz respeito a desordens neurodegenerativas, cujo sucesso do tratamento está diretamente relacionado a sua aplicação o quanto antes no desenvolvimento da patologia.

Por: Bruna Coêlho 

Bibliografia:

Inga Zerr, Lisa Kaerst, Joanna Gawinecka and Daniela Varges. Cerebrospinal Fluid Based Diagnosis in Alzheimer’s Disease. The Clinical Spectrum of Alzheimer’s Disease -The Charge Toward Comprehensive Diagnostic and Therapeutic Strategies, p207-220.

http://www.fleury.com.br/medicos/medicina-e-saude/manuais/manual-de-neurodiagnosticos/Pages/liquido-cefalorraquidiano.aspx

Exame do Líquido Cefalorraquidiano no Diagnóstico do Alzheimer

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s