Vacina anti-alzheimer: estamos distantes dessa realidade?

Não é recente a perspectiva da criação de uma vacina anti-Alzheimer. Apesar disso, ainda não é concreta a presença de uma consolidada e aprovada para o uso em seres humanos. Há inúmeras pesquisas cujo interesse principal é o desenvolvimento de uma vacina que poderia ser usada tanto como prevenção ou retardo da doença (em pacientes em diferentes estágios da doença). Esse post irá relatar as principais e mais recentes pesquisas envolvidas nesse assunto.

Cada vacina é realizada com foco em cada uma das hipóteses de causa da doença, dessa forma o maior enfoque das vacina reside na hipótese amilóide. Logo, visam estimular o sistema imunológico a reconhecer e atacar as placas amilóides.

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AN-1792 –  Em julho de 1999, cientistas da Elan Incorporation (em conjunto com o Laboratório Wyeth-Ayerst) publicou resultados promissores observados em estudos pré-clínicos em camundongos. As injeções de AN-1792 evitavam a deposição da proteína beta-amilóide, além de impedir a formação de pla­cas amilóides nos cérebros de camundongos jovens e transgenicamente modificados para produzir a proteína humana. Além disso, também haviam reduzido o número de placas existentes em ratos idosos com a mesma alteração gênica. Após essa publicação, a a Food and Drug Administration (FDA) e a Medicines Control Agency permitiram que se iniciassem teste em humanos. Esse estudo de fase um foi aprovado, pois mostrou excelente percentual de tolerância e aumento de anticorpos anti-amilóide. Já em 2001, começara, os teste de fase dois com outro grupo de pacientes com Alzheimer em fase intermediária. Apesar dos resultados anteriores, houve rejeição por parcela dos pacientes, que apresentaram inflamação no cérebro e até complicações mais graves. Dessa forma, foram suspensas as pesquisas e administrações da AN-1792. Necrópsia desses pacientes que tiveram rejeição mostrou a ineficácia da vacina em combater algumas outras lesões características do Alzheimer.

EB-101 – Mais recente que a vacina anterior, a EB-101 é fruto de uma pesquisa cuja publicação foi feita em 2012 por cientistas espanhóis. Teste em ratos evidenciaram que a vacina foi capaz de prevenir o Alzheimer e reverter suas manifestações quando a doença já estiver desenvolvida. O tratamento com EB-101 resulta na redução da placa senil (beta-amilóide), decréscimo da densa estrutura do emaranhado de neurofribrilas e atenuação dos astrócitos. Tudo isso acarretou no decréscimo da inflamação induzida por amilóide. As principais descobertas do estudo dessa vacina mostraram a prevenção e redução de placas de beta-amilóide e emaranhados neurofibrilares; Redução da ativação dos astrócitos, s quais são responsáveis pela neuroinflamação característica do Alzheimer; aumento de anticorpos beta-amilóide; melhora da atividade psicomotora; não foram observados efeitos negativos na estrutura celular do cérebro, na coordenação motora do corpo e nem no comportamento dos ratos estudados. Novamente, esses promissores resultados pré-clínicos deverão passar por inúmeros teste em seres humanos até que a EB-101 possa ser comercializada e utilizada pela população.

CAD-106 – Também com publicação em 2012, resultado de estudos do Karolinska Institutet, a CAD-106 mostrou-se eficiente ao estimular a defesa autoimune do organismo contra a proteína beta-amilóide. A vacina foi adaptada depois de testes para afetar apenas a prejudicial proteína beta-amilóide. As pesquisas demonstraram ainda que 80% dos pacientes que foram submetidos aos testes com a CAD-101 desenvolveram os anticorpos sem sofrerem nenhum efeito colateral, evidenciando uma boa tolerância. Novas pesquisas em humanos serão feitas para confirmar a eficácia da CAD-106.

 

Essas são apenas algumas das vacinas a serem testadas em todo o mundo, sabe-se que muitos outros testes estão sendo conduzidos por diferentes equipes em diferentes laboratórios. A vacina para o Alzheimer não é uma realidade distante, mas todos os testes são imprescindíveis para a elaboração de fármacos adequados ao organismo humano. Nos resta esperar e apoiar esse tipo de pesquisa para que, quem sabe nossos filhos, ou até mesmo nós, possamos presenciar a cura dessa enfermidade.

 

Referências:

http://www.hindawi.com/journals/ijad/2012/376138/

http://www.sciencedaily.com/releases/2013/01/130115143852.htm

http://info.abril.com.br/noticias/ciencia/espanhois-desenvolvem-vacina-capaz-de-prevenir-alzheimer-17012013-39.shl

http://ki.se/ki/jsp/polopoly.jsp?l=en&d=130&a=145109

http://www.alzheimermed.com.br/tratamento/novas-drogas-perspectivas-parte-2

 

Matheus Papa.

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