Tratamento farmacológico do Alzheimer – Início.

O tratamento de uma doença está intimamente ligado aos mecanismos bioquímicos causadores da doença. Aí encontra-se o problema do Mal-de-Alzheimer, pois ainda hoje estão em estudos tanto a bioquímica do desenvolvimento da doença, quanto o tratamento farmacológico da mesma.

Assim sendo, há diversas hipóteses sobre o que causa a doença, entre as principais: a hipótese Colinergética, a hipótese Tau e a hipótese Amilóide. É incorreto pensar que talvez só uma delas sejam causadoras do Alzheimer, o qual pode ser resultado da ação conjunta de cada uma das hipóteses. De fato, as vias neurais do sistema colinergético e suas conexão são as principais atingidas pelo Mal-de-Alzheimer.

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A doença de Alzheimer é caracterizada como uma proteopatia pelo metabolismo anormal de uma proteína que causa o acúmulo anormal de proteínas beta-amilóide e tau-amilóide no cérebro. Beta-amilóide.(Aβ) é um fragmento da proteína percussóra do amilóide (APP), uma proteína transmembrana que penetra na membrana do neurônio. A beta-amilóide é fundamental para o crescimento, sobrevivência e reparo pós-danos dos neurônios. Não se sabe qual o processo que acusa a fragmentação da APP por enzimas (proteólises). Duas são as alterações neuronais características da doença: as placas senis e os emaranhados neurofibrilares. O metabolismos anormal da APP e a consquente formação de amontoados do peptídeo beta-amilóide resultam na formação das placas senis. Já os emaranhados neurofibrilares, são formados a partir da desestruturação do citoesqueleto neuronal, decorrente da hiperfosforilação da proteína tau, a qual tem como principal consequência a nível celular a desintegração do sistema de transporte dentro da célula neuronal. Estas alterações ocorrem em estruturas do lobo temporal medial, incluindo o hipocampo e o giro para-hipocampal (essenciais para os processos de memória). Com a evolução da doença, o processo degenerativo se espalha para o neocórtex de associação (processos cognitivos como a razão, lógica e interação social).

O tratamento farmacológico do Alzhiemer é dividido em quatro níveis:

1- terapêutica específica: objetiva reverter processos patofisiológicos (morte neuronal e à demência.

2- abordagem profilática: visa a retardar o início da demência ou prevenir declínio cognitivo.

3- tratamento sintomático: visa restaurar as capacidades cognitivas, as habilidades funcionais e o comportamento dos pacientes portadores de demência.

4- terapêutica complementar: tratamento das manifestações não-cognitivas da demência (psicose, depressão, agitação psicomotora, apatia, agressividade e distúrbio do sono).

Inibidores de Acetilcolinesterases

Sabe-se que há um déficit colinergético presente no curso da doença, o que justifica o uso desse tipo de droga (as mais utilizadas no tratamento específica da enfermidade), a qual visa inibir enzimas catalíticas da acetilcolia (acetil e butirilcolinesterase), aumentando assim a disponibilidade sináptica de acetilcolina. Relata-se melhora relativa sobre a cognição e até melhora nas alterações não cognitivas da demência atráves desse tratamento (comportamento e capacidades funcionais).

Segue abaixo duas tabelas com os principais fármacos inibidores de colinesterases e ainda suas principais características:

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Memantina.

Tem efeito na neurotransmissão glutamatérgica (afetada na doença). O glutamato é um neurotransmissor com várias funções cerebrais: excitatório cerebral, cognição, memória e até excitotoxina (morte neuronal em níveis elevados prolongados). A evolução do Alzheimer causa perda funcional e estrutural das regiões corticais e subcorticais.A memantina é um antagonista não-competitivo de receptores NMDA, permitindo sua ativação fisiológica durante os processos de formação da memória. Há relatos de eficácia clínica no tratamento com seu uso e melhora moderada em pacientes em estágio avançado.

Há ainda muito a se estudar sobre cada mecanismo de evolução da doença e fármacos possíveis no tratamento da doença. Diariamente surgem novas pesquisas e opções com a esperança de se alcançar a cura do Mal-de-Alzheimer. Novas drogas são produzidas à medida que esses estudos avançam, como, por exemplo, o bexaroteno, o qual apontou um  aumento ou expressão da Apo-E em células da glia. Mostrou também significativa redução dos agregados de proteína beta-amilóide, tanto da forma solúvel como das placas senis,levando ao aumento da limpeza da  proteína beta-amilóide e, consequentemente, à redução dos danos neurológicos.

Matheus Papa Vieira

Referências bibliográficas:

http://www.alzheimermed.com.br/tratamento/inibidores-da-acetilcolinesterase-parte-1

http://www.hcnet.usp.br/ipq/revista/vol32/n3/137.html

http://en.wikipedia.org/wiki/Alzheimer%27s_disease#Pharmaceutical

http://en.wikipedia.org/wiki/Biochemistry_of_Alzheimer%27s_disease

http://en.wikipedia.org/wiki/Biochemistry_of_Alzheimer%27s_disease

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Um pensamento sobre “Tratamento farmacológico do Alzheimer – Início.

  1. Teresa disse:

    Exelente Post! Ajudou muito no meu projeto de escola, continuem postando mais!

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