O QUE É AQUILO ?

“Recordar-se não é o mesmo que lembrar-se; não são de maneira nenhuma idênticos. A gente pode muito bem lembrar-se de um evento, rememorá-lo com todos os pormenores, sem por isso dele ter a recordação. A memória não é mais do que uma condição transitória da recordação: ela permite ao vivido que se apresente para consagrar a recordação. Esta distinção torna-se manifesta ao exame das diversas idades da vida. O velho perde a memória, que geralmente é de todas as faculdades a primeira a desaparecer. No entanto, o velho tem algo de poeta; a imaginação popular vê no velho um profeta, animado pelo espírito divino. Mas a recordação é a sua melhor força, a consolação que os sustenta, porque lhe dá a visão distante, a visão de poeta. Ao invés, o moço possui a memória em alto grau, usa dela com facilidade, mas falta-lhe o mínimo dom de se recordar. Em vez de dizer: «aprendido na mocidade, conservado na velhice», poderíamos propor: «memória na mocidade, recordação na velhice». Os óculos dos velhos são graduados para ver ao perto; mas o moço que tem de usar óculos, usa-os para ver ao longe; porque lhe falta o poder da recordação, que tem por efeito afastar, distanciar.

A feliz recordação do velho é, como a feliz facilidade do moço, um gracioso dom da natureza, da natureza que protege com seus cuidados maternais as duas idades da vida que mais precisam de socorro, se bem que, em certo sentido, sejam também as mais favorecidas. Mas é por isso também que a recordação, tal como a memória, muitas vezes não passa de portadora dos dados mais acidentais.

Apesar de se distinguirem por grande diferença, a recordação e a memória são por vezes tomadas uma pela outra. A recordação é efectivamente idealidade, mas como tal, implica uma responsabilidade muito maior do que a memória, que é indiferente ao ideal.

A recordação tem por fim evitar as soluções de continuidade na vida humana e dar ao homem a certeza de que a sua passagem pela terra efectua uno tenore, num só traço, num soporo, e pode exprimir-se na unidade. Assim se liberta ela da necessidade em que a língua se encontra de repassar incessantemente pelas mesmas tagarelices, para reproduzir aquelas de que a vida se encontra repleta. A condição da imortalidade do homem é que a vida dele decorra uno tenore. ”

Soren Kierkegaard, in “O Banquete”.

Lágrimas banham meu rosto.

Brendo Henrique.

SOBRE A HIPÓTESE COLINÉRGICA.

Olá Leitores. Nesse post falaremos sobre a relevante HIPÓTESE COLINÉRGICA. Vamos à BIOQUÍMICA …

          Sabemos que tanto as consequências geradas pelas placas senis e pelos novelos neurofibrilares estão intimamente relacionados à redução da neurotransmissão colinérgica.

            A região denominada nucleus basalis de Meynert é a fonte produtora da enzima colina acetiltransferase (CAT) que age em estruturas do SNC (formação hipocampal, córtex cerebral e amígdala, dentre outros). Nessas regiões ela, a enzima, catalisa a reação de síntese da acetilcolina (ACh) a partir da colina e da coenzima A .

Núcleos da Base

Núcleos da Base

Localização do  Nucleus Basalis de Meynert.

Localização do  Nucleus Basalis de Meynert.

          Após sua formação a ACh é liberada na fenda sináptica, onde poderá ser acoplada a dois tipos de receptores – muscarínico e nicotínico. A ACh restante é degradada pela enzima acetilcolinesterase (AChE) na fenda sináptica em colina e acetato, que são as bases de sua formação.

Acetilcolina.

Acetilcolina.

Receptor Nicotínico.

Receptor Nicotínico.

           Na Doença de Alzheimer ocorre uma atrofia do nucleus basalis de Meynert provocando uma diminuição na síntese da colina acetiltransferase (CAT) e, consequentemente, da acetilcolina.

           Este núcleo, assim como os outros núcleos da base, compreende uma massa subcortical cinzenta profunda em cada hemisfério cerebral. Desse modo, além do núcleo de Meynert, ainda existem o núcleo caudado, o núcleo lentiforme, o claustrum, o corpo amigdaloide e o núcleo accubens.

substância inonimada

             Essa redução da neurotransmissão colinérgica pode favorecer processos de formação do beta-amilóide e a hiperfosforilação da proteína Tau. Existem cinco subtipos de receptores muscarínicos e dois deles, m1 e m3, estão acoplados á proteína G(guanosina-3-fosfato)e,subsequentemente, às fosfolipases A2 e C. Essa fosfolipase C cliva o fosfatidilinositol-4,5- bifosfato em dois mensageiros, diacilgicerol e inositol-1,4,5-trifosfato, responsáveis pela ativação da proteinaquinase C e liberação de cálcio a partir do estoque intracelular. Esses processos desencadeiam cascatas de eventos que acarretam a inativação das enzimas beta-secretase e glicogênio-sintase-quinase, responsáveis respectivamente pela formação beta-amilóide e pela fosforilação da proteína Tau, ocasionando retardamento e diminuição desses fenômenos, ou seja, a sintomática da Doença de Alzheimer.

Cascata Clássica da Proteína G.

Cascata Clássica da Proteína G.

          Como foi dito, há uma relação entre o declínio da síntese de colina acetiltransferase (CAT) e a gravidade da DA. O fato é que núcleo de Meynert é uma fonte produtora da CAT, enzima que catalisa a síntese de ACh a partir de colina e da acetilcoenzima A e que é transportada para estruturas-alvo  no Sistema Nervoso Central, tais como a amígdala, a formação hipocampal e o córtex cerebral. Quando formada, a ACh é liberada na fenda sináptica, onde se acoplará aos receptores muscarínicos ou nicotínicos de acetilcolina.

            Por isso, entende-se como uma boa estratégia para o tratamento de DA, a administração de fármacos que modulem de forma positiva  a função colinérgica. Assim, níveis sinápticos de acetilcolina (ACh) podem ser aumentados desde que se possa inibir a ação da acetilcolinesterase (Uma enzima que degrada a ACh restante na fenda sináptica em colina e acetato, precursores na formação de ACh.), ou até mesmo estimulando a liberação de ACh e a resposta dos receptores pós-sinápticos de Ach. Ou seja, drogas que aumentem a liberação de Ach ou que dificulta a sua degradação. Eu disse que seria um post bem bioquímico…

Alguns anexos para melhorar o entendimento (:

hipótese 1

hipótese

Nos vemos no próximo post.

Brendo Henrique

FONTES:

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-60832005000300005&script=sci_arttext

http://www.demneuropsy.com.br/detalhe_artigo.asp?id=167

http://www.hcnet.usp.br/ipq/revista/vol25/n3/arti253b.htm

http://www.revistaneurociencias.com.br/edicoes/2000/RN%2008%2001/Pages%20from%20RN%2008%2001-3.pdf

http://rnp.fmrp.usp.br/aulas/Francisco/Alzheimer_Tratamento_Carolina_Souza%202007ma.pdf

http://link.springer.com/article/10.1007%2FBF00697388

http://www.javeriana.edu.co/Facultades/Ciencias/neurobioquimica/libros/neurobioquimica/receptores.htm

Leitores, na série “QUERO SABER MAIS” vamos falar sobre as Placas Senis (ou Placas Neuríticas) e sobre  os Emaranhamentos Neurofibrilares. Fiquem atentos às postagens !

placas

Sabe-se que o depósitos extracelulares anormais de proteínas insolúveis  decorrentes de divisão anormal da proteína chamada de Proteína Precursora de Amilóide (PPA) resulta nessas placas. A quebra patológica da PPA forma monômeros da proteína ß-amilóide que se reúnem. Aos poucos se dispersam até terminarem na forma de placas senis (PS) maduras ou senis consideradas patológicas. Vários tipos de depósitos discretos de ß-amilóide que formam a PS têm sido identificados nos cérebros de indivíduos com doença de Alzheimer (DA). Na Doença de Alzheimer, as PS são constituídas por um núcleo central que contém a proteína ß-amilóide e outras substâncias.

 

PLACA  SENIL CORADA POR VERMELHO DO CONGO

PLACA SENIL CORADA POR VERMELHO DO CONGO

Existem 3 mutações genéticas na PPA. (CAUSAS RELACIONADAS AO ALZHEIMER GENÉTICO !)

-PRIMEIRA: no cromossomo-21 ocorre dupla mutação, sendo uma delas mais próxima da enzima alfa-secretase (quanto mais próxima dessa enzima mais deletéria fica a proteína) com expressão clínica antes dos 65 anos.

-SEGUNDA: ocorre com a proteína presenilina-1, que tem expressão clínica entre 40 e 70 anos e o número de casos familiares afetados chega a 20% e 2 a 3 % de todos os casos.

-TERCEIRA: ocorre com a presenilina-2,que tem expressão clínica entre 30 e 60 anos, com percentual de casos na família de 70 a 80%, e o número de casos totais de 5 a 10%. Cada filho tem uma probabilidade de 50% de herdar o gene anormal e desenvolver a DA .

Essas alterações estão relacionadas de algum modo na produção de placas amilóide. As 3 mutações genéticas representam menos de 10% de todos os casos de DA, o que indica que as causas genéticas não são as mais significativas, em questão numérica.

Com a continuação dos estudos sobre as PS, os pesquisadores resolveram classificá-las em quatro tipos morfológicos: difusa, primitiva, clássica e compacta. Os estudos continuaram e foram elaboradas duas hipóteses para estudar as PS. Primeira, que as placas difusa, primitiva, clássica e compacta desenvolvem-se em seqüência e representam estágios na história de vida de cada uma das placas. Segunda, que as placas diferem e são independentes entre si, portanto, fatores próprios e diferenciados estão envolvidos na formação de cada tipo de placa.

Para diferenciar essas hipóteses, foram estudados analiticamente no cérebro os quatro tipos de placas quanto à morfologia, ultraestrutura, composição e distribuição espacial.

Por mais que algumas placas primitivas consigam se desenvolver a partir de placas difusas, as evidências sugerem que a combinação de fatores próprios

está envolvida na patogênese de cada tipo de placa e, dessa maneira, suporta a hipótese de que tipos maiores de placas desenvolvem-se independente.

Novos estudos no campo estão sendo realizados para que consigamos chegar a algumas certezas . Até lá, a DA segue cercada por algumas incógnitas que, com esperança, serão sanadas.

placas 2

Até a próxima (:

Brendo Henrique

Fonte:

http://www.alzheimermed.com.br/tratamento/novas-drogas-perspectivas-parte-1

http://www.institutopaulobrito.com.br/pdf/A%20doen%C3%A7a%20de%20Alzheimer%20-%20causas.pdf

http://www.slideshare.net/TBQ-RLORC/beta-amilide

http://www.medicinageriatrica.com.br/tag/placas-senis/

http://anatpat.unicamp.br/bineualzheimer.html

http://veja.abril.com.br/blog/genetica/arquivo/mal-de-alzheimer-genetico-ou-adquirido/

QUERO SABER MAIS : Placas Senis!

Que proteína é essa? Esclarecimentos Sobre a beta amilóide.

Olá leitores (:

          O objetivo dessa postagem é sanar algumas dúvidas sobre a proteína beta amilóide e fatores relacionados a ela. Para iniciarmos, nada mais coerente do que discorrer sobre o amilóide das placas senis. Ele é constituído pela proteína beta(ßA) ou A4. Esta é um fragmento de uma proteína precursora muito maior, APP(Proteína Precursora de Amiloide), que atravessa a membrana celular, e é codificada no cromossomo 21. A atuação desta proteína é discutida no meio científico, mas poderia ser um receptor de superfície. É muito estudado o fato de pacientes portadores de síndrome de Down, que possuem a trissomia do cromossomo 21, apresentam alterações neuropatológicas semelhantes às da doença de Alzheimer se ultrapassam os 45 anos. Isto sugere que uma maior produção da proteína precursora por dosagem excessiva do gene possa causar as lesões.

Imagem       

  Esta proteína se expressa em numerosas células e tecidos do organismo, incluindo os neurônios, as células musculares lisas da parede vascular e as plaquetas. No entanto, no que consiste na sintomática do Alzheimer e suas complicações, a expressão nos neurônio é a mais significante, devido à iniciação de cascatas que resultam na formação de placas no cérebro.

          A relação entre essas placas e a demência no mal de Alzheimer é, de certo modo, hermética. Não se sabe com exatidão se as elas são causa ou conseqüência da enfermidade. Dispostos a se despir de algumas dúvidas, pesquisadores analisaram uma linhagem de ratos com tendência a desenvolver o distúrbio. Conforme esses roedores envelheciam, seus níveis de beta-amilóide aumentavam e sua memória diminuía. Os animais não conseguiam se lembrar, por exemplo, dos companheiros e esqueciam-se de lugares onde faziam determinadas atividades.

          Alguns estudos internacionais mediaram a atuação de alguns cientistas na alteraram o código genético de ratos, que pararam de produzir a enzima BACE1(beta sintetase 1), responsável pela síntese da beta amilóide(sigla de “enzima de clivagem da proteína precursora do amilóide em beta”-em inglês, beta-site amyloid precursor protein-cleaving enzime). Como resultado, a taxa de proteína beta-amilóide caiu, e os animais com tendência ao Alzheimer permaneceram saudáveis. “Esta é uma evidência de que a circulação da proteína beta-amilóide no cérebro pode causar déficits cognitivos, pelo menos em ratos”, disse o pesquisador John Disterhoft, que conduziu o estudo que está sendo abordado no blog , numa entrevista ao site da revista Nature.

          O estudo sinaliza com a possibilidade de novas alternativas terapêuticas para o mal de Alzheimer. A falta da enzima BACE1 não causou efeitos colaterais perceptíveis nos ratos, o que pode ser um indicativo de que o uso de inibidores da BACE1, que já existem, é seguro em humanos. Mas para se chegar a essa conclusão, ainda são necessários muitos testes e pesquisas. Estamos esperando …

       Imagem

          NO ENTANTO, deve-se ter cautela. Inicialmente, porque a doença não se manifesta de modo equivalente em ratos e humanos. Os roedores não desenvolvem todos os sintomas do mal de Alzheimer e sofrem uma perda de memória menos severa. Além disso, alguns pesquisadores acreditam que uma outra proteína, chamada tau, é que realmente desencadeia a doença de Alzheimer. Neste caso, a beta-amilóide estimularia a síntese da tau, que por sua vez provocaria a enfermidade.

Falaremos sobre a famosa proteína tau em outra situação.

 

Brendo Henrique

 

Fonte: 

http://scielo.sld.cu/scielo.php?pid=S0864-03002002000400006&script=sci_arttext

http://emedix.uol.com.br/not/not2007/07abr17neu-jn-ofa-alzheimer.php

http://www.drashirleydecampos.com.br/noticias/10616

http://celiomendes-saude.blogspot.com.br/2010/11/vitamina-d-beta-amiloide-e-alzheimer.html

http://anatpat.unicamp.br/bineualzheimer.html

http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/22065

A prática de atividades físicas e Alzheimer

Como já dito anteriormente em outras postagens, medidas preventivas para a doença ainda não existem. O que é recomendado são as chamadas Terapias cognitivas de enriquecimento que são estratégias para retardar ou até mesmo reverter o declínio cognitivo. Contudo como bases no resultados de muitas pesquisas, muitas evidências obtidas que apontam na direção à prevenção. Estudos recentes demostram que a prática de atividade física está associada com a redução dos riscos de desenvolver Doença de Alzheimer. A prática de atividade física parece atuar como medida neuroprotetora em muitas doenças neuromusculares e neurodegenerativas, incluindo a doença de Alzheimer.

Dentre as muitas possibilidades que explicam o porquê que o exercício físico é benéfico para o cérebro e que estão envolvidas com o desenvolvimento da doença de Alzheimer, podemos listar algumas:

  • Aumento dos níveis dos fatores de crescimento que auxiliam na formação de novas células nervosas e que promovem a plasticidade sináptica (habilidade das conexões sinápticas de se adaptarem a situações diferentes).
  • Aumento do número de neurotransmissores que ajudam na cognição, tais como dopamina, noradrenalina e serotonina.
  • Pode promover a angiogênese (formação de novos vasos sanguíneos), neurogênese (produção de novas células nervosas), plasticidade e aprendizado neuronal, sobrevivência e resistência neuronal frente a insultos cerebrais.
  • Pode colaboram com a aumento dos níveis dos fatores de crescimento dos nervos possibilitando assim a formação de novas conexões neuronais o que é extremamente benéfico para se evitar o desenvolvimento do Alzheimer que apresenta a perda de conexões neuronais como característica marcante.

A prática regular de atividade física sistematizada, preferencialmente associada à estimulação cognitiva, contribui para a preservação ou mesmo melhora temporária de várias funções cognitivas, particularmente a atenção, as funções executivas e a linguagem em pessoas idosas que já apresentam a doença mostrando como um meio de tratamento não farmacológico também.

Além da atividade física, as evidências mostram que a atividade neural regula a expressão de fatores neurotróficos de crescimento neural apresentando repercussão favorável para a plasticidade neural, além de benefícios psicológicos e sociais. Essas evidências justificam a recomendação de se estimular as práticas cognitivas como medida de preservação das funções cognitivas. Essas práticas que devem ser diárias e diversificadas incluem leitura diária, aprender pelo menos uma palavra nova todos os dias, desenvolver pensamentos complexos e críticos, realizar atividades e trabalhos desafiadores, resolução de palavras cruzadas e puzzles em geral, jogar xadrez e outros jogos de tabuleiro aprender a tocar algum instrumento, dançar, manter-se sempre atualizado quanto às notícias diárias. Recomenda-se também a manutenção das relações sociais como forma de preservar as regiões cerebrais responsáveis pela memória afetiva e pelos sentimentos e emoções.

Bibliografia

Colcombe S, Kramer AF. Fitness effects on the cognitive function on older adults: a meta-analytic study. Psychol Sci. 2003;14(2):125-30.

http://en.wikipedia.org/wiki/Physical_exercise

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462009000200014&lang=pt

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2765045/

http://www.fciencias.com/2012/07/20/plasticidade-sinaptica-a-base-de-aprendizagem-e-memoria/

POR: Joyce Vieira Dantas.

Exame de Sangue no Diagnóstico de Alzheimer

A pesquisa de novas técnicas diagnósticas cada vez menos invasivas e que possam detectar a presença do desenvolvimento da Doença de Alzheimer cada vez mais cedo é uma tentativa de descoberta de diagnósticos mais precoces, específicos e conclusivos para a patologia. Isso porque quanto mais cedo se realiza o diagnóstico, melhores e com maiores chances de sucesso são as opções de tratamento a oferecer.

O exame de sangue no diagnóstico de Alzheimer já tem sido utilizado para descartar outras patologias que tenham sintomas semelhantes ao Alzheimer ou outros tipos de demência. Agora, pesquisadores ao redor do mundo buscam extrair mais desse tipo de exame, estudando possíveis biomarcadores específicos para o processo patológico da doença em questão.

Essa técnica de diagnóstico é baseada em evidências bioquímicas do metabolismo cerebral no sangue. Várias equipes vêm testando diferentes vias metabólicas, e nesse post abordaremos algumas delas.

Um estudo realizado no Research Institute of the McGill University Health Centre (MUHC) baseou-se na produção de um hormônio chamado Desidroepiandrosterona (DHEA), o qual está presente no cérebro, onde apresenta vários efeitos biológicos. Os pesquisadores utilizaram amostras sanguíneas de pacientes com e sem Alzheimer, promovendo a oxidação delas. No sangue de pacientes que não apresentavam Alzheimer, a oxidação promoveu a produção de DHEA; no sangue de pacientes com Alzheimer, a oxidação não promoveu o aumento nos níveis de DHEA. Um dos pesquisadores do método também afirmou ter sido possível por meio do teste detectar pacientes em estágios iniciais da doença.

Outro estudo, dessa vez sendo desenvolvido na Durin Technologies Inc., baseia-se na presença de anticorpos contra restos de neurônios que morreram e explodiram. Parte do conteúdo desses neurônios vai para a corrente sanguínea e o organismo fabrica anticorpos contra esses restos, acredita-se, para facilitar a limpeza deles. Os pesquisadores, então, analisam a presença e relação desses anticorpos com o processo patológico do Alzheimer, que é também caracterizado pela morte de neurônios. Entretanto, tal estudo, apesar de promissor, é ainda preliminar.

Por sua vez, um estudo sendo realizado na Mayo Clinic Study on Aging and Mayo Clinic Alzheimer’s Disease Center usa uma técnica para medir os níveis de substâncias características de vias metabólicas celulares, tais como determinados açúcares, lipídios, nucleotídeos, etc., para detectar alterações. Identificando essas mudanças pode ser possível evidenciar biomarcadores da doença. Se essas alterações metabólicas são a causa ou a consequência do processo patológico do Alzheimer, ainda não se sabe.

É importante lembrar que, atualmente, o que se tem na prática é um diagnóstico realizado por meio da integração de várias técnicas, neurológicas e neuropsicológicas, a fim de dar uma resposta mais confiável ao paciente, uma vez que o diagnóstico definitivo só pode ser realizado por análise do tecido cerebral após a morte.

No entanto, é possível vislumbrar um futuro promissor para o diagnóstico da Doença de Alzheimer – muitos esforços estão sendo reunidos no sentido de aprimorar técnicas diagnósticas já existentes e em uso e de descobrir novas cada vez mais eficazes, ou seja, mais seguras, específicas e disponíveis para a prática clínica.

Por: Bruna Coêlho

Bilbiografia:

http://www.webmd.com/alzheimers/news/20110803/blood-test-may-spot-alzheimers-before-symptoms-appear

http://www.sciencedaily.com/releases/2013/05/130529111236.htm

http://www.sciencedaily.com/releases/2012/11/121107145926.htm

http://www.sciencedaily.com/releases/2011/05/110504095623.htm

Olá, leitores!

Nesse post iremos falar sobre o exame do líquido cefalorraquidiano no diagnóstico da Doença de Alzheimer. Iremos focar em dois grupos de biomarcadores relacionados à patologia em questão: a proteína β-amiloide e a proteína tau.

O exame do líquido cefalorraquidiano (LCR) é utilizado como uma importante técnica diagnóstica para patologias neurológicas. No caso da Doença de Alzheimer, o diagnóstico definitivo ainda requer a análise histopatológica, mas os estudos acerca de marcadores biológicos são bastante promissores.

O LCR está em contato íntimo com o Sistema Nervoso Central (SNC) e com ele troca muitos produtos bioquímicos, apresentando uma complexa mistura de proteínas, as quais refletem o estado fisiológico e patológico do SNC. Dessa forma, desordens neurodegenerativas e outros processos patológicos cerebrais alteram tal composição proteica do LCR.

O exame do LCR é feito por punção lombar. Não há um preparo específico por parte do paciente para o exame; ele pode alimentar-se normalmente, só não é recomendável que esteja fazendo uso de medicação anticoagulante ou de drogas que interfiram na coagulação sanguínea. Nesses casos, o médico deve avaliar a necessidade do exame e, se realmente necessário, deve estar atento para o risco de sangramento decorrente do procedimento.

Agora que já exploramos os conceitos relacionados ao líquido cefalorraquidiano, vamos falar dos biomarcadores nele encontrados relacionados ao processo patológico do Alzheimer. Proteínas β-amiloides (Aβ) são pequenos peptídeos hidrofóbicos produzidos por clivagem de uma proteína precursora de amiloide associada à membrana. As Aβ são produzidas constitutivamente e lançadas no sangue e no LCR. Em pessoas com Alzheimer, elas são acumuladas no cérebro em placas senis, processo característico da doença. Consequentemente, há uma relação direta entre os níveis de Aβ no LCR e a sua deposição no cérebro.

beta-amiloide

Estudos apresentados levam à conclusão de que a análise da Aβ no LCR pode ser um parâmetro em potencial para a determinação do declínio cognitivo na fase pré-clínica. Isso foi sugerido pelo seguinte fato: em pacientes com comprometimento cognitivo leve, os níveis de Aβ foram mais baixos em paciente que vieram a ser diagnosticados com Alzheimer. No entanto, outros estudos também demonstraram que esse marcador é altamente sensitivo para a detecção de demência, mas não permite uma boa discriminação entre vários tipos de demência, uma vez que seu nível também diminui em pacientes com outras formas de demências não causadas por Alzheimer.

Outro biomarcador importante na análise do LCR para diagnóstico de Alzheimer é a proteína tau. A proteína tau é uma proteína associada a microtúbulos que interage com tubulinas e promove a montagem e a estabilidade dos microtúbulos. A forma hiperfosforilada da tau tem sua afinidade por microtúbulos diminuída, reduzindo, consequentemente, sua habilidade de promover sua formação. A tau hiperfosforilada compõe agregados que formam filamentos helicoidais, os quais constituem emaranhados neurofibrilares presentes no processo patológico do Alzheimer.

Consequentemente, níveis elevados de tau fosforilada ou não fosforilada no LCR são biomarcadores da Doença de Alzheimer, e, quando presentes em pacientes com comprometimento cognitivo leve, são indicadores de alto risco para o desenvolvimento da patologia.  Em pessoas com Alzheimer, níveis mais altos da tau forforilada estão relacionados a uma maior atrofia do hipocampo e a resultados mais baixos em exames neuropsicológicos. Entretanto, assim como foi visto com a Aβ, a mesma alteração nos níveis da tau pode ser observada em outras condições que não o Alzheimer; além disso, o aumento nos níveis da tau também está presente devido ao envelhecimento.

tau

Portanto, a análise de biomarcadores para o Alzheimer no líquido cefalorraquidiano é uma técnica promissora para o diagnóstico da patologia em questão, apesar de ainda não ser tão conclusiva devido a sua não tão alta especificidade frente a outras formas de demência. No entanto, tal constatação não deve diminuir seu mérito e seu potencial, se desenvolvido por mais pesquisas, para o diagnóstico clínico e pré-clínico da doença – esse último sendo de extrema relevância, uma vez que a busca pelo diagnóstico precoce é sempre válida e importante no que diz respeito a desordens neurodegenerativas, cujo sucesso do tratamento está diretamente relacionado a sua aplicação o quanto antes no desenvolvimento da patologia.

Por: Bruna Coêlho 

Bibliografia:

Inga Zerr, Lisa Kaerst, Joanna Gawinecka and Daniela Varges. Cerebrospinal Fluid Based Diagnosis in Alzheimer’s Disease. The Clinical Spectrum of Alzheimer’s Disease -The Charge Toward Comprehensive Diagnostic and Therapeutic Strategies, p207-220.

http://www.fleury.com.br/medicos/medicina-e-saude/manuais/manual-de-neurodiagnosticos/Pages/liquido-cefalorraquidiano.aspx

Exame do Líquido Cefalorraquidiano no Diagnóstico do Alzheimer